E chega ao blog mais uma nova seção: Autores Anônimos. Todo mês estaremos postando no blog um texto, encontrado em blogs aleatórios. Fiquem agora com o texto Descobrindo o Amor, do blog Professo Fábio Diniz.
Descobrindo o Amor
Despertava de mais uma noite de sono, mas parecia estar sonhando. Ao abrir lentamente os olhos que pesados insistiam em permanecer cerrados, deparei-me com uma imagem instigante, e por que não dizer excitante.
Tantos anos se passaram, quase uma década, sem que percebesse tamanha formosura, encanto, perfeição. Fitava aquela escultura divina feito um adolescente que acabara de conhecer seu primeiro amor. Seria possível se apaixonar duas vezes pela mesma criatura? Eu estava bem próximo de responder a essa questão.
Poderíamos dizer que foi amor à primeira vista, já que, ao alvorecer, meus olhos pareciam deslizar unicamente sobre aquela pintura. Obra de arte insuperável por qualquer “Da Vinci”. Queria tocá-la, porém ative-me a contemplá-la, também tive medo de despertá-la de tão delicado adormecer. Sua respiração era suave e vagarosa, como se não tivesse pressa de acordar, parecia saber do encanto que esse momento proporcionava a minha alma.
Observava cada detalhe, cada curva, cada fio de cabelo derramado sobre sua pele morena. O castanho de seus cabelos parecia misturar-se com o bronzeado de sua epiderme. A boca farta parecia contornada por finos pinceis, e revestida por uma porção de macias carnes rosadas, despertando intenso desejo de embriagar-me em tão formosos lábios. Seus seios descobertos aparentavam que o frio da manhã tomara conta do ambiente, eram tão fartos e rígidos como da primeira vez que os vi.
Permita-me, Pero Vaz de Caminha, fazer referência à carta que escrevera ao rei de Portugal, em especial ao trecho em que descreve algumas índias, “... e suas vergonhas tão altas e tão cerradinhas...”. Esta passagem traduz com exatidão o que meus olhos contemplavam.
Certamente o tempo foi generoso com aquela mulher, e por que não dizer comigo, já que tivera o prazer de acariciar, por tantas e tantas vezes, exuberante perfeição. Enquanto a admirava, indagava – Como pude deixar que o tempo apagasse essa imagem de minha memória?
De repente, para a minha surpresa, o castanho dos seus olhos tornaram-se aparentes. Num sussurro, um bom dia seguido de um beijo. Um beijo que parecia não ter fim. Sua boca tinha um sabor adocicado pelo desejo derramado por meus lábios. Nos beijamos como na primeira vez, feito um adolescente aguardei por demais aquele beijo, quase uma madrugada. O desejo tomara conta de minh’alma e nos acariciamos infinitamente. Primeiro minhas mãos deslizaram sobre seu corpo despido de toda e qualquer vestimenta, e em seguida os lábios se encarregaram de fazer o mesmo.
Amamo-nos pela manhã, nos entregamos em afagos que se tornavam mais intensos com o despontar do sol. O entardecer trouxe a resposta para a minha indagação, é impossível se apaixonar duas vezes pelo mesmo ser, pois a paixão não passa de um estágio para algo mais intenso, o amor. Agora sabia que a amava e que precisa proferir tão sublimes palavras.
Aguardei o anoitecer, preparei algo para cearmos e resolvi revelar minha descoberta. Pegando levemente em suas macias e delicadas mãos, olhei em seus olhos, como horas antes tivera feito, e disse pela primeira vez “EU TE AMO”.
Fábio Diniz






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